Por Thiago Budni*

 

Escrevi este artigo com base na concepção de um problema que nós vivemos atualmente, um problema difícil de identificar e de avaliar a sua dimensão, mas que alerta para o risco que o planeta Terra está correndo. Nós consumimos mais do que a capacidade do planeta produzir aquilo que a gente consome.

Para isso vou falar sobre sustentabilidade, sobre uma metodologia de mensuração de impacto ambiental, que é a pegada ecológica e também sobre como a inovação tecnológica pode ajudar a minimizar esse problema. Essa combinação que farei entre sustentabilidade, metodologia e tecnologia, tem como objetivo sugerir ferramentas para um gestor, no sentido de encontrar caminhos para que tudo que seja lançado no mercado daqui pra frente possa incorporar um desempenho ambiental que viabilize o desenvolvimento econômico e social causando o mínimo de estresse ao planeta.

O meio acadêmico costuma falar de duas dimensões principais em relação ao estresse do planeta, a primeira é a produção de CO2 (dióxido de carbono), que gera um impacto através do efeito estufa. Esse fenômeno ocorre quando o calor solar penetra na atmosfera da Terra, reflete na superfície do planeta e ao retornar para voltar ao espaço ele é bloqueado por uma camada de CO2, que não deixa o calor sair e a Terra começa a aquecer, a temperatura do planeta começa a subir. Esse é um ponto altamente discutido hoje, principalmente porque há muitos interesses industriais e porque praticamente tudo que utilizamos na sociedade, como produtos da indústria, transportes e a produção de energia, geram muito CO2, que pode estar contribuindo para o aquecimento global. Mas existe outra visão um pouco mais objetiva acerca do estresse do planeta que é a da pegada ecológica, que é um indicador muito menos controverso do que o aquecimento global e trata de um assunto um pouco diferente.

Mas o que é pegada ecológica? A pegada ecológica é uma expressão traduzida do inglês ecological footprint e corresponde à quantidade de terra e água necessárias para produzir bens e serviços que sustentam o estilo de vida de uma determinada população. Em outras palavras, trata-se de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza”, em média, para se sustentar, levando em conta todos os recursos materiais e energéticos. A pegada ecológica é atualmente usada ao redor do mundo como um indicador de sustentabilidade ambiental.

O conceito da pegada ecológica começou a se consolidar, a se tornar importante, quando em abril de 2008 saiu uma reportagem na capa da Time Magazine com o título “Fique preocupado. Fique muito preocupado.” O planeta acordou, as pessoas perceberam que o planeta está estressado.

O que nós podemos fazer? Quais são os caminhos para atuar nesse ambiente tão diverso, onde a sociedade consome mais do que a capacidade do planeta?

Existem grandes desafios tecnológicos para que tenhamos uma sociedade com padrão alto de consumo, sem tanto dano ao meio ambiente. O caminho envolve uma fração muito grande de tecnologia, gestão e engenharia.

A nossa capacidade de lidar com esses problemas está diretamente associada à capacidade que temos de projetar um futuro onde tudo o que nós façamos tenha um impacto social, ambiental e econômico cada vez mais positivo e bem distribuído. Portanto, nós temos que procurar um caminho para desenvolver a sociedade num novo modelo onde tudo o que as pessoas vão passar a usar no futuro de benefícios tenham uma característica melhor de sustentabilidade. O que precisamos é formar gente competente para encontrar esses caminhos. Gestores que utilizem a inovação como caminho para a sustentabilidade.

A palavra inovação é muito antiga e muito usada, que sempre teve relação com o novo e hoje passou a ser um componente fundamental na gestão empresarial. Inovação tem a ver com a capacidade de sobrepor obstáculos na cultura, no tradicionalismo e trazer o novo para a prática. Fazer a transformação das idéias e teórias em algo prático, real, que possa ser implementado aos negócios.

Um conceito interessante de inovação é aquele que tem como pilares fundamentais a aplicação de novos conhecimento para o desenvolvimento de produtos, serviços, processos e gestão, de forma que gerem impacto positivo na competitividade da empresa que a utiliza. A inovação deve propor uma mudança de paradigma, algo que melhore a competitividade.

O tipo de inovação mais praticado no Brasil mais é a inovação em custo, ou seja, tentar reduzir o preço das coisas para viabilizar a ampliação de mercado. Hoje nós precisamos mudar este paradigma, precisamos tratar mais de inovação em negócios, para isso precisamos ter um conjunto de competências articuladas tanto no desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, no desenvolvimento de soluções e tecnologias de gestão, no desenvolvimento de aplicação de tecnologia de informação e processos de fabricação, de forma que ao injetar esse conhecimento no setor empresarial a gente tenha a capacidade de ter uma resposta positiva do mercado, uma vez que para um empresa ser bem sucedida ela precisa ter uma boa estratégia, um bom desenvolvimento de produtos e serviços e uma boa gestão de processos e de logística.

O interessante é que essas definições passam a ter um papel fundamental no dia a dia das empresas a partir do momento que o governo estabelece benefícios fiscais para a inovação. Hoje no Brasil temos a “Lei do Bem” (Lei 11.196/05), temos linhas de fomento nas agências federais, para a inovação e temos a EMBRAPI – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial.

A chamada “Lei do Bem” concede incentivos fiscais a brasileiras que produzem inovação. Atualmente ela beneficia apenas as indústrias. O Manual de Oslo, editado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), define inovação como a implementação de um bem ou serviço novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas. Então, podemos propor algo nesse sentido para emresas prestadoras de serviços como as de transporte de cargas? Acredito que sim.

 

* Thiago Budni, da Rodoeng Transportes, é Diretor Adjunto da Especialidade de Meio Ambiente e Transporte de Produtos Perigosos do SETCESP desde 2013 e da Especialidade de Transporte de Resíduos desde 2017. Também foi coordenador da COMVERDE – Comissão de Estudos em Meio Ambiente e Transportes da entidade em 2011 e 2012.

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